Terça-feira, Dezembro 20, 2011

O Bóson de Higgs que nada tem a ver com Deus

Na primeira quinzena de dezembro o Large Hadron Collider através de dois de seus experimentos, o ATLAS e o CMS divulgaram possíveis evidências do encontro do tão procurado Bóson de Higgs. Os dois experimentos detectaram durante 2011, na faixa de massa de 115 a 127 GeV, evidências compatíveis com partículas resultantes do decaimento de Higgs.


O Bóson de Higgs é procurado há décadas e é a única partícula prevista pelo Modelo Padrão da Teoria Quântica que ainda não foi descoberta. O Modelo Padrão é o modo tradicional como os físicos teóricos tratam a física das partícula subatômicas e é espetacularmente igual ao observado na imensa maioria de experimentos, falhando somente em condições absolutamente críticas como nos buracos negros e no Big Bang.

Cientistas e jornalistas ocupados em divulgar descobertas científicas, muitas vezes, caem na armadilha de produzir metáforas que trazem inevitavelmente má interpretação por parte de pessoas e grupos mal intencionados. Exemplo clássico destas armadilhas á a pictórica imagem da evolução humana de um macaco até o Homo sapiens, qualquer pessoa mais afeita à Teoria da Evolução sabe que a evolução humana não ocorreu como a figura propõe, mas o senso popular incorporou a imagem.



O mesmo aconteceu com o Bóson de Higgs! Na tentativa de explicar e popularizar o conceito, criaram a imagem da partícula de Deus. Esta imagem surgiu do fato de o Bóson de Higgs ser o mediador do Campo de Higgs que é responsável por dar massa às partículas subatômicas (prótons e neutrons por exemplo). Sem o Campo de Higgs estas partículas não teriam massa. Sem que estas partículas tenham massa os planetas, estrelas e galáxias não teriam se formado pois não haveria a atração gravitacional. Segundo a Lei da Gravitação Universal de Newton: matéria atrai matéria na razão direta do produto de suas massas e na razão inversa do quadrado da distância. Pois é, segundo o modelo padrão, sem o Bóson de Higgs isso não seria possível.

O Bóson de Higgs é, possivelmente, a partícula responsável pela existência do universo tal qual o conhecemos, a partícula responsável pela "criação" que popularmente é atribuída a Deus. A partícula de Deus nada tem a ver com Deus, tem apenas a ver com o fato de tornar possível o universo como o conhecemos.

Quarta-feira, Setembro 15, 2010

A ganância da vida longa

Sensacional a frase de Luiz Felipe Pondé no artigo 100% na Folha de São Paulo de 12/07/2010, infelizmente o link não é público, mas fica aqui para os que estiverem interessados e forem assinantes da Folha de São Paulo ou UOL. 

Mas o que me levou a escrever sobre o tema tanto tempo depois da sua publicação? O motivo foi um comentário de um amigo sobre o ícone acima. Disse ele: Sim, o fumante é sem dúvida o mais fraco. E quanto mais fuma, mais fraco fica. Até não fumar mais. Nem respirar...Tadinho...

Obviamente a lei antifumo em lugares públicas é excelente, afinal de contas, existem evidências científicas bastante boas de que fumantes passivos também tem maior risco de doenças cardiovasculares e de câncer de pulmão que o resto da população não fumante. E ninguém é obrigado colocar-se em risco pela minha vontade de expor-me ao risco. Mas isto vale não apenas para o fumo, vale para tudo o que aumenta o risco aos outros, por exemplo dirigir em alta velocidade, dirigir falando ao celular, dirigir embriagado e até, digamos, andar de moto!

O que me preocupa tremendamente, é o que Pondé chama de monstruosidade narcisista da saúde total e do policiamento que estes gananciosos fazem sobre pessoas que pretendem ser normais e desperdiçar a vida no que e como gostam. Cada um é dono do seu próprio nariz e ninguém tem nada a ver com o que faço com a MINHA vida, faço dela o que bem entendo, foi-me dada por meus pais e a mim pertence e não a este bando de neuróticos narcisistas filhotes da egocêntrica cultura norte-americana. 

Quem disse que fomos feitos para vivermos 70, 80, 100 anos? Não fomos! A evolução não preparou o Homo sapiens variedade sapiens para viver esse tempo todo. A evolução preparou-nos para vivermos apenas até os 35 ou 40 anos... Assim vejamos, somos sexualmente adultos aos 13 ou 14 anos, nossos filhos são altamente dependentes de cuidados maternos e uma estrutura familiar garante maior chance de sobrevida ao filho... Somando tudo isto, 40 anos está de muito bom tamanho para uma prole de 5 a 10 filhos. Isto de fato aconteceu até o início do século XX quando nossos cérebros enormes conseguiram modos (medicina) de prolongar a vida e muitas vezes dobrar ou triplicar seu "prazo de validade".

Como não fomos feitos para viver tantos anos, os processos biológicos e bioquímicos que garantiram o sucesso da espécie, começam a apresentar efeitos adversos,  nossos meios bioquímicos de armazenar energia (gordura) começam a destruir nosso sistema cardiovascular. Nossas células envelhecem e morrem continuamente, em consequência, nossos cérebros encolhem. Tornamo-nos alvo de doenças degenerativas que destroem-nos progressivamente. 

Que garantia temos de que não sofreremos de uma grave demência aos 70 ou 80 anos de idade? Ainda não existe prevenção para isto na ciência médica. Somos reféns passivos das doenças degenerativas. De que vale esta ganância narcisista se os anos que ganharmos a mais na vida forem para vivermos entrevados numa cama vítimas da cruel Doença de Alzheimer cobrando de nossos filhos o preço da vida que tão gananciosamente, como um velho avarento, tentamos preservar. Ou ainda, de que vale os anos a mais conquistados se serão gastos apodrecendo num asilo qualquer, esgotando recursos escassos que poderiam estar sendo usados para os jovens que tem a vida plena e que, se não forem narcisistas gananciosos podem aproveitar?

Sexta-feira, Setembro 10, 2010

Chico Xavier - O Filme

Polia's Blog - A grande máquina funciona!

Enquanto o LHC (Large Hadron Collider) explode prótons a 7 TeV a 99,9999...% (não sei quantos 9s) da velocidade da luz, a ciência médica descobre métodos mais rápidos e eficazes para o diagnóstico da tuberculose, medicamentos são desenvolvidos com tecnologia capaz de agir apenas em células doentes e destruir apenas as células infectadas pelo vírus HIV; milhares e milhares de pessoas assistem a Chico Xavier - O Filme.

Não assisti a este filme e nem irei, nem no cinema, nem em DVD e muito menos na televisão. Filme, que utiliza efeitos especiais apenas disponíveis pelo desenvolvimento científico a que chegamos, exorta a mistificação e a crença no imaginário. 

Nada contra os que acreditam e e seguem o espiritismo ou qualquer outra crença religiosa, desde que não haja formação de seitas, como frequentemente ocorre. Mas o que não consigo entender é o por quê da capacidade das pessoas admirarem-se pelas maravilhas da ciência não ser no mínimo a mesma capacidade que têm em admirarem-se pelo fantástico, pelo imaginário e pelo sobrenatural. 

Acho que preciso ler O Mundo Assombrado pelos Demônios de Carl Sagan novamente... Vou procurar na minha bagunça.

Quinta-feira, Março 13, 2008

Homeopatia - Mistificação travestida de pseudo-ciência

Durante todo o século XX, particularmente nos últimos 40 anos, a medicina deu grandes saltos em qualidade científica. Teremos oportunidade de abordar, nesta coluna, os largos avanços que a ciência médica produziu neste período. Mas, hoje, queria concentrar-me numa especialidade médica, a homeopatia. Sim, é verdade, a homeopatia goza de status de especialidade médica, aprovada e autorizada pelo Conselho Federal de Medicina e pela Associação Médica Brasileira. Mais ainda, o governo federal hoje autoriza e incentiva sua prática no SUS, ou seja, dirige parte dos recursos da saúde, e parte dos impostos pagos pelo contribuinte, para tratamentos médicos utilizando essa, chamemos assim, por enquanto, modalidade terapêutica.

A medicina hoje é, e a cada dia será mais, uma ciência extremamente complexa, que apóia-se plenamente no método científico proposto por Karl Popper. Traduzindo, tratamentos são testados utilizando-se sofisticados desenhos estatísticos que comparam modalidades terapêuticas e nos dizem com variáveis graus de segurança, se um tratamento é ou não efetivo em aumentar a sobrevivência e melhorar a qualidade de vida. Para que um tratamento seja utilizável do ponto de vista ético e moral ele deve demonstrar ser efetivamente capaz de reduzir a morbidade (incidência relativa de uma doença) e mortalidade (atributo ou condição de qualquer coisa que provoque a morte).

Essa capacidade de reduzir morbidade e mortalidade já foi amplamente demonstrada pela ciência médica para muitas doenças, desde o tratamento de diversos tipos de câncer, passando pelo infarto do miocárdio, o acidente vascular cerebral e a sepse, até em situações menos graves como as sinusites agudas.

Teria a homeopatia se submetido ao crivo do método científico? Se o foi, mostrou efetividade ou eficácia na redução de morbidade e mortalidade?

O Ministério da Previdência e Assistência social na Resolução 4 do CIPLAN (Comissão Interministerial de Planejamento e Coordenação), afirma:

CONSIDERANDO que a Homeopatia é uma prática médica centenária segundo princípios e métodos próprios de diagnóstico e terapêutica, buscando promover e recuperar a saúde;
CONSIDERANDO que tem demonstrado eficácia em patologias as mais variadas, em doenças agudas e crônicas;

Não há dúvidas de que a primeira afirmação é verdadeira, a homeopatia é uma prática médica centenária, idealizada por no início do século XIX por Samuel Hahnemann (1755-1843). Hahnemann encontrava-se profundamente angustiado com a prática médica de sua época baseada em purgantes e sangrias. Naquela época a ciência médica ainda engatinhava e estávamos muitíssimo longe do grau de conhecimento médico que dispomos hoje, o método científico não havia sido descrito de modo formal e a medicina baseava-se na experiência pessoal dos que a praticavam.

Hahnemann, num auto-experimento com uma planta do gênero Cinchona produtora de quinino (substância eficaz ainda hoje no tratamento da malária) passou a apresentar sintomas “idênticos” à malária concluindo então a partir dessa única observação, que medicações efetivas deveriam produzir em pessoas saudáveis, sintomas semelhantes às doenças que se espera que tratem. Junto com seus colegas, Hahnemann iniciou um teste com diversas substâncias para, a partir do sintoma que produzissem, direcioná-las ao tratamento de doenças que causassem esses mesmos sintomas. Hahnemann imaginou que administrar doses habituais de substâncias que causam os mesmos sintomas produzidos pela doença era inapropriado e propôs a redução da dose a proporções infinitesimais. Para ter-se uma idéia do grau a que essas diluições chegam, para ingerirmos uma molécula da substância na diluição 15C (10 elevado a 30), é necessário tomar 25 metros cúbicos (ou 25.000 litros) dá água em que foi produzida a “medicação”.
Hahnemann propôs e utilizou diluições até 30C (10 elevado a 60). É interessante lembrar que o número de moléculas num mol é da ordem de 10 elevado a 23 (número de Avogadro) e que a provável quantidade de átomos no universo está na ordem de 10 elevado a 77. Segundo Hahnemann, quanto mais diluida estiver a substância, mais potente será seu efeito e menores serão os efeitos colaterais.
A pergunta óbvia que nasce dessa afirmação é: como uma substância é capaz de agir numa concentração tão baixa? Na realidade, em muitas situações, é maior a probabilidade de se encontrar moléculas da substância ativa na água da torneira do que num remédio homeopático. Como resolver esse dilema? Hahnemann propôs que durante a preparação das medicações homeopáticas, estas fossem “dinamizadas” ou “potencializadas”, para isso, a cada diluição, deveria ser realizada a sucussão (aplicar 10 golpes da preparação em um corpo elástico). Segundo os praticantes da homeopatia, a água é capaz de guardar a memória das substâncias com as quais teve contato no passado, preservando e aumentando assim suas propriedades terapêuticas.

Como o leitor pode observar, todas as afirmações de Hahnemann são a priori, baseadas única e exclusivamente em sua opinião pessoal, não estando baseadas em nenhuma evidência científica concreta, o que, diga-se de passagem, era natural em sua época. Evidentemente existem várias objeções graves a essas afirmações. Entre elas encontramos o fato de que a água entrou em contato com milhares ou milhões de substâncias no passado e portanto preservaria também essa “memória”. Outra objeção: qual o mecanismo responsável por essa “memória”? Proposições, as mais esdrúxulas possíveis, sempre temperadas pelo fértil e complexo campo da mecânica quântica foram feitas, desde alterações nas propriedades das pontes de hidrogênio, até estonteantes alterações no spin de elétrons dos átomos de hidrogênio. É claro que essas proposições não passam pelo crivo de nenhum estudante do 1º. ano do curso de física e possívelmente, nem mesmo pelo de um bom estudante do nível médio.

Mas, apesar de absurdas hoje em dia, as idéias de Hahnemann estão sendo utilizadas há dois séculos, aparentemente com resultados clínicos satisfatórios, como cita a segunda proposição da resolução interministerial acima. Ora, se isso acontece, se realmente existem estudos clínicos que mostram a eficácia da homeopatia, não importa muito que o mecanismo proposto seja absurdo do ponto de vista farmacológico, fisiopatológico, físico ou o que seja. Importa que funcione. O mecanismo de ação correto será conhecido na medida em que a ciência avance.

Portanto, a essência da questão é: a homeopatia funciona, ou não? Aqui a resposta é simples e apesar de alguns estudos apontarem benefícios no tratamento homeopático, a maioria mostrou que este não diferia do tratamento com placebo, ou seja, de nenhum tratamento. O grande fecho à questão foi dado pela metanálise publicada pelo The Lancet (segunda revista médica de maior impacto, somente perdendo para o New England Journal of Medicine) em 2005 sob o título Are the clinical effects of homoeopathy placebo effects? Comparative study of placebo-controlled trials of homoeopathy and allopathy (Os efeitos clínicos da homeopatia são efeitos placebo? Estudo comparativo de ensaios controlados por placebo entre homeopatia e alopatia), de Shang e colaboradores. A interpretação final de Shang é dramática e vale a pena citá-la aqui: Esses achados são compatíveis com a noção de que os efeitos clínicos das medicações homeopáticas são efeitos placebo.

O editorial do The Lancet nessa edição, “O fim da homeopatia” não deixa por menos e complementa de forma definitiva: Surely the time has passed for selective analyses, biased reports, or further investment in research to perpetuate the homoeopathy versus allopathy debate. Now doctors need to be bold and honest with their patients about homoeopathy's lack of benefit, and with themselves about the failings of modern medicine to address patients' needs for personalised care. ("Certamente terminou o tempo para análises seletivas, relatórios enviesados, ou mais investimentos em pesquisa para perpetuar o debate homeopatia versus alopatia. Agora os médicos precisam ser audaciosos e honestos com seus pacientes sobre a falta de benefício da homeopatia, e consigo mesmos sobre a incapacidade da medicina moderna de endereçar adequadamente as necessidades dos pacientes por cuidados personalizados.")

Gostaria de concluir esse artigo dizendo apenas: a medicina é uma ciência muito rica e tem salvado muitas vidas quando praticada de modo correto. Não vale a pena correr risco. Não se deixe levar por tratamentos alternativos sem eficácia científica comprovada. Na pior das hipóteses, para não gastar dinheiro à toa. Se seu médico propuser qualquer tratamento com homeopatia, florais de Bach ou qualquer dessas terapias duvidosas. Não tenha dúvidas, troque de médico!

Segunda-feira, Março 03, 2008

Hora de varrer o obscurantismo

Essa semana o STF analisa e define a questão da pesquisa com células tronco embrionárias. Já comentei aqui o quão bizantina é essa questão, mas o lobby que setores da Igreja Católica faz é poderosíssimo.

Os defensores ferrenhos da proibição dessa pesquisa nascem dos setores mais conservadores da Igreja, que longe de ser sua maioria, posam de senhores da verdade absoluta e estão alinhados a ninguém menos que o Sr. Ratzinger (Papa Bento XVI).

Amanhã assistiremos a preleção de Ives Gandra Martins, que sabe tanto de medicina quanto eu de direito. É bastante provável que o Dr. Ives jamais tenha visto o sofrimento de portadores de mal de Parkinson, de esclerose múltipla ou de lesões medulares. Mas diante dos ministros do STF usará todas as afirmações falaciosas que dispõe para falar do que não entende, com seu ar entojado de possuidor supremo da verdade.

Durante a visita de Ratzinger ao Brasil, o Presidente Lula, num momento de lucidez impar, acabou com a pretenção papal de privilégios à Igreja Católica. Espero que aqui novamente os senhores ministros do STF repitam esse momento de lucidez e derrubem de uma vez por todas essa imbecilidade.

Ou será que reviveremos Galileu? Será que os conservadores da Igreja Católica ainda não perceberam que suas propostas são um empecilho ao desenvolvimento científico e que não devem meter-se em questões científicas?

Metam-se com o que lhes é de direito, se é que tem algum, e não tenham a pachorra de daqui a dois séculos, pedirem perdão por seus erros. Seria lamentável!

Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008

Bento XVI no The Lancet


No final de janeiro, The Lancet, uma das revistas médicas mais importantes do mundo publicou um editorial entitulado The Pope and Science (O Papa e a Ciência). Neste editorial o Lancet afirma que apesar de algumas posições ditas "progressistas" do Papa em relação à Evolução e à questões ambientais e ecológicas, a posição de Bento XVI sobre o uso de camisinha e do aborto continuam absolutamente inalteradas.


Já escrevi nesse blog que considero a posição contra o uso da camisinha adotada pelo main stream da Igreja Católica uma política genocida. Felizmente percebo que não sou o único a interpretar a questão dessa forma.


Pessoas ligadas à ciência comemoram a posição "progressista" de Ratzinger em declarações como: existem evidências suficientes para apoiarmos a Evolução. A expressão que não quer calar é "demorou". As evidências científicas que apoiam a Teoria da Evolução das Espécies saltam aos olhos de qualquer bom observador após Darwin.


Portanto, a posição de Ratzinger e da Igreja Católica não é absolutamente nada progressista, estamos apenas comemorando um pseudo-progresso. Ratzinger é extremamente inteligente e culto e sabe que precisa ceder levemente em alguns campos dando ares de progressismo para não cair no mesmo descrédito que os evangélicos sofrem nos meios científicos, afinal a Igreja Católica é grande mestra em aproveitar-se da ciência quando ela apóia suas crenças e fazer vista grossa ou condenar veementemente quando as contradizem. Exemplos abundam pela história!


A tática utilizada por Ratzinger é de dar migalhas aos pobres! Cede em coisas que são inegáveis e escamoteáveis e mantém posição radical nas ditas "verdades de fé". Apóia a "Teoria da Evolução" (bem entre aspas) e tenta destruir as pesquisas com células tronco embrionárias! Apresenta um discurso ecológico e proibe veementemente o aborto! Pede desculpas pelo julgamento de Galileu (João Paulo II) e condena o uso da camisinha!


Fico feliz do The Lancet ter publicado tão importante editorial! Parabéns!

Sexta-feira, Agosto 24, 2007

Sobre covas frias...

É muito interessante a visão que alguns crentes tem dos dos agnósticos e dos ateus. Fantasiam coisas transformando-nos em seres dignos de sermos expostos em museus como aberrações. Às vezes nos olham assustados como se estivessem olhando para aqueles vidros empoeirados cheios de fetos mal formados que costumamos encontrar em museus de anatomia das faculdades de medicina.

Recentemente, um "conhecido", um tal Mariano, escrevendo uma paródia sobre um suposto Mario (sem acento) escrevia o texto abaixo em itálico.

Assim, tendo desistido de se embonecar obsessivamente, Mario passa a idolatar a razão, e por conseguinte a Ciência e seus dogmas e teorias sem comprovação, que passa a ser sua "nova religião", muito mais fanático do que jamais fora antes. Cego pela ciência, ferido em seu orgulho e se achando menos do que a humanidade, resolve se tornar agnóstico e não contente com isso militante!!!!

Agora vai se entender alguém ser militante irracional de algo que a nada leva senão à cova fria. É uma violência contra a própria natureza humana, mas ele é um novo ser, pensa, superior a essas crendices supersticiosas. Então torna-se amargo cínico e pessimista ao extremo.

As afirmações do autor acima são extremamente temerárias e se interpretadas à luz de recente publicação na revista Science podem trazer consequências irreparáveis. Gostaria, então, de comentar algumas das atrocidades cometidas por esse tal Mariano contra a ciência e contra a humanidade. Tentando mostrar o mal que pode ser produzido em troca das pseudo-verdades de um cristianismo fundamentalista.

A primeira frase que gostaria de comentar é: "idolatar a razão, e por conseguinte a Ciência e seus dogmas e teorias sem comprovação". A subversão da verdade nessa frase é acintosa, nenhum cientista idolatra a razão, apenas a utiliza como fonte de conhecimento, além do mais, nada mais adequado do que utilizar-se da razão para a solução de problemas já que somos seres racionais. Negar a importância da razão é permitir que crendices tolas dominem a mente e nos façam agir de maneira inadequada e até perversa. Exemplos disso não faltam, é só olhar os jornais diários e veremos milhares de manifestações irracionais perpetradas por meras crendices.

Não custa citar algumas: gente abandonando o tratamento médico utilizando "curas espirituais", terroristas suicidas matando dezenas ou centenas de pessoas em busca de sete virgens, pessoas adorando imagens refletidas em vidros e assim por diante.

Na mesma frase, o autor mal intencionado, afirma que existem dogmas científicos sem comprovação. Sendo o autor uma pessoa de nível superior, essa afirmação é mais que temerária, é leviana e criminosa. Em primeiro lugar porque ele sabe muito bem que não há dogmas científicos, a ciência nunca teve e nem terá dogmas. O desenvolvimento científico nos dias de hoje baseia-se em "A Lógica da Pesquisa Científica" de Karl Popper e um dos princípios básicos é que o conhecimento científico precisa ser necessariamente falseável. Não existe ciência se as descobertas e o resultados das pesquisas não puderem ser falseados. Aliás, diga-se de passagem, essa é uma das grandes críticas que alguns cosmologistas fazem à Teoria das Cordas, esses cosmologistas afirmam que ela não é falseável, se isso for verdade, a Teoria das Cordas deixará imediatamente de ser ciência e passará a ser religião. As religiões são não falseáveis, baseiam-se em verdades absolutas, ditas reveladas.

Em segundo lugar o uso da frase sem comprovação é uma enorme mentira. A imensa maioria das teorias científicas aceitas nos dias de hoje foram mais do que comprovadas. Podemos dizer isso da teoria da evolução, da teoria da relatividade, da teoria quântica e de inúmeras outras. Existem sim teorias sem comprovação sólida como a teoria das cordas por exemplo, mas cientistas trabalham incessantemente para demonstrá-la ou destruí-la como pode ser lido em meu artigo anterior.

Mas o tal Mariano prossegue, afirmando que o suposto Mario (sem acento) frustrado, transforma-se em agnóstico militante. Agnósticos e ateus em sua imensa maioria, não são militantes. Mas alguns, preocupados com as consequências maléficas das intervenções dos crentes em assuntos críticos como teoria da evolução, pesquisa de células tronco embrionárias, ortotanásia e distanásia, etc; idignam-se e passam, não a professar, como supõe o autor do texto, mas procurar reverter ou pelo menos neutralizar as atrocidades produzidas por esses crentes. O fazem com a melhor das intenções, preocupados com a humanidade, com nosso planeta e com o bem estar de quem nele vive. A temerosidade de alguns crentes chega a tanto que esses tolos afirmam não ser necessário preocupar-se com o aquecimento global pois Jesus Cristo voltará ainda nessa geração! Pasmem!

O tal Mariano continua seu discurso maléfico afirmando: Agora vai se entender alguém ser militante irracional de algo que a nada leva senão à cova fria. É uma violência contra a própria natureza humana.

Gostaria imensamente que os crentes demonstrassem que existe alguma cova quente, todas as que vi até hoje, e foram muitas, infelizmente, são frias, como são frios os que as habitam. A morte é a única coisa inexorável na vida, por que temê-la? Por que enganar-se acreditando sem nenhuma evidência, que existe uma suposta vida após a morte?

Só há uma explicação para isso, e chama-se prepotência humana. Alguns de nós nos achamos superiores a todos os outros seres vivos, os mais mega bogas em todo o universo detectável. Mas é impossível aos crentes verem o universo com humildade, tomando consciência do quanto somos contingentes, de quanto somos desnecessários, de quanto somos meros acidentes da natureza.

Gostaria de terminar esse artigo dizendo ao Sr. Mariano: Sua desonestidade intelectual é inadmissível...